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Por que você deveria falar com estranhos.

8 de jul.
2 min de leitura

Autora: Gillian Sandstrom, professora de Psicologia da Gentileza na Universidade de Sussex (artigo publicado no The Psychologist, maio de 2023)


Sandstrom se descreve como introvertida — sempre se sentiu desconfortável em multidões — mas descobriu, num trajeto de metrô em Toronto, que adora puxar conversa com estranhos. Uma interação sobre um cupcake com uma desconhecida virou um bate-papo sobre passeios de avestruz, e a partir daí ela colecionou histórias de conexões inesperadas: ganhou verduras de um jardim comunitário, tocou piano em dueto com um morador local durante uma viagem, conheceu um ex-campeão europeu de aeromodelismo, entre outras.


O que a pesquisa mostra:


  • Um estudo de Nick Epley e Juliana Schroeder pediu a passageiros de trem em Chicago que conversassem com alguém no trajeto — as pessoas ficaram de bom humor depois, mas erroneamente previam que seria melhor viajar em silêncio.

  • Pesquisas de Stav Atir, Kristina Wald e Nick Epley mostraram que as pessoas aprendem mais conversando com estranhos do que esperavam aprender.


Por que evitamos conversar com estranhos:


  • Existem preocupações comuns: não gostar do interlocutor, ser chato, não saber como encerrar a conversa (pesquisa de Adam Mastroianni mostra que terminar uma conversa no momento certo para as duas partes é extremamente difícil).

  • Erica Boothby encontrou algo curioso: em quase todos os domínios as pessoas se avaliam acima da média, exceto na habilidade de puxar papo casual — aí a autoconfiança despenca.

  • Só que esses medos são exagerados: em estudos repetidos, as conversas reais saem muito melhores do que as pessoas previam.

  • Existe o chamado "liking gap" (a lacuna do gostar): subestimamos o quanto o outro gostou de nós, porque focamos nos nossos próprios deslizes e ignoramos os sinais positivos que emitimos.


Dá para treinar isso: Sandstrom criou um jogo tipo "caça ao tesouro social" no celular, em que as pessoas tinham que conversar com estranhos que combinassem com descrições (ex.: "alguém de chapéu"). Depois de uma semana, os participantes se sentiam mais confiantes e menos temerosos de rejeição.


Por que isso importa para o mundo:


  • Humaniza o "outro" — só o contato visual já cria sensação de conexão (pesquisa de Wesselmann).

  • Espalha gentileza: num estudo com a BBC Radio 4 e 60 mil respondentes, 10% das pessoas disseram que o último ato de gentileza que receberam veio de um estranho.

  • Evitar interações mínimas (self-checkout, banco online) deixa as habilidades sociais "enferrujadas", alimentando um ciclo de isolamento e solidão.


Conclusão da autora: ela ainda se considera introvertida, mas uma introvertida que ama falar com estranhos, e acredita que cada "olá" pode tornar o mundo um pouco mais gentil e conectado.

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